Quero que as tuas mãos
Me tapem os olhos
Nos dias em que não estás.
Quero que a tua boca
Me beije de todas as vezes
Que não quero falar.
Nunca sofri eu
Tão pesado desatino.
Teu sorriso divino
Quem o deu?
Sou um barco à deriva,
As marés soltas e rodopiantes,
Sangrentas e mirabolantes
Do tempo assim o obriga.
O meu castigo é esse;
Procurar-te nos cantos infinitos,
Rumar, incerto, por sítios esquisitos.
Será tão fácil alguém perder-se?
Todos os dias peço que não,
A minha última confissão.
Quis soletrar a paixão
Numa dessas noites em claro
Onde o som da chuva, no passeio,
Me lembra o eco dos teus passos.
Mas tudo isto são palavras,
Escritas num papel.
Queria apenas a câmara lenta
Dos teus beijos e dos meus.
Vejo-te em sonhos,
Embaraços de voos lentos,
Partilhados no espaço.
Uma primavera sonolenta,
De vozes sumidas.
E assim se passam os dias…
Hey! Mr. Tambourine Man, play a song for me
I’m not sleepy and there is no place I’m going to
Hey! Mr. Tambourine Man, play a song for me
In the jingle jangle morning I’ll come followin’ you
Though I know that evenin’s empire has returned into sand
Vanished from my hand
Left me blindly here to stand but still not sleeping
My weariness amazes me, I’m branded on my feet
I have no one to meet
And the ancient empty street’s too dead for dreaming
Hey! Mr. Tambourine Man, play a song for me
I’m not sleepy and there is no place I’m going to
Hey! Mr. Tambourine Man, play a song for me
In the jingle jangle morning I’ll come followin’ you
Take me on a trip upon your magic swirlin’ ship
My senses have been stripped, my hands can’t feel to grip
My toes too numb to step
Wait only for my boot heels to be wanderin’
I’m ready to go anywhere, I’m ready for to fade
Into my own parade, cast your dancing spell my way
I promise to go under it
Hey! Mr. Tambourine Man, play a song for me
I’m not sleepy and there is no place I’m going to
Hey! Mr. Tambourine Man, play a song for me
In the jingle jangle morning I’ll come followin’ you
Though you might hear laughin’, spinnin’, swingin’ madly across the sun
It’s not aimed at anyone, it’s just escapin’ on the run
And but for the sky there are no fences facin’
And if you hear vague traces of skippin’ reels of rhyme
To your tambourine in time, it’s just a ragged clown behind
I wouldn’t pay it any mind
It’s just a shadow you’re seein’ that he’s chasing
Hey! Mr. Tambourine Man, play a song for me
I’m not sleepy and there is no place I’m going to
Hey! Mr. Tambourine Man, play a song for me
In the jingle jangle morning I’ll come followin’ you
Then take me disappearin’ through the smoke rings of my mind
Down the foggy ruins of time, far past the frozen leaves
The haunted, frightened trees, out to the windy beach
Far from the twisted reach of crazy sorrow
Yes, to dance beneath the diamond sky with one hand waving free
Silhouetted by the sea, circled by the circus sands
With all memory and fate driven deep beneath the waves
Let me forget about today until tomorrow
Hey! Mr. Tambourine Man, play a song for me
I’m not sleepy and there is no place I’m going to
Hey! Mr. Tambourine Man, play a song for me
In the jingle jangle morning I’ll come followin’ you
“Vem por aqui” — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: “vem por aqui!”
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali…
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe.
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos…
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: “vem por aqui!”?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí…
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?…
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos…
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios…
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios…
Deus e o Diabo é quem me guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: “vem por aqui!”
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou…
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
Ter, à vista de uma janela, os Alpes alinhados em fileiras de dentes afiados que desafiam o céu, prometendo a fúria gritante da mordida da terra. As nuvens que os tentam cobrir, manchadas com o laranja solar do final do dia, vão morrendo aos poucos, com um ou outro pico mais audaz, que rompe a simplicidade de algodão onde o branco dessas nuvens se confunde com o esmalte da montanha de neve.
A tranquilidade do espaço, aqui tão perto, reina soberana. Não há bicho nenhum que aqui apareça. Não há confusão ou desacato. Há sim a sensação de imensidão abrupta, que não se constrange apenas ao azul maciço do céu ou ao cobertor aveludado e inerte que me serve de chão fictício, mas continua muito para além disso, até às sombras quase nocturnas do vermelho vivo do último suspiro do sol, que vai morrendo, dando luta até ao fim. O vermelho do seu sangue cobre tudo em seu redor e torna-se apenas mais um momento absoluto de infinito sobre o qual me debruço a admirar por momentos.
Apenas penso em sentir-te.
Batendo contra as rochas
Num fluxo de ondas e de saliva
No oceano celestial que é o teu cabelo
Onde brinco, entretanto, perdido no tempo
Esquecendo que, neste momento,
Me encontro à deriva, em alto mar,
À espera da despedida
Ansiando que ela nunca aconteça
Num desespero de doido varrido
Entre abraços, demasiado penosos, para largar.
Talvez que, por águas santas,
Ou milagrosos desejos de fim-de-ano,
Volte essa maré dos teus cabelos castanhos
Que me envolvem, prendem
Entre a confusão de beijos desatentos
Nas horas do relógio de parede
Que vai morrendo, lentamente,
À medida que nos deitamos no chão,
Perdidos de riso, de tão contentes,
Pelo retorno à Pátria, ao sol e ao mar.
Espantado pelos espartilhos
Das ruas estreitas e vazias
Que sufocam Lisboa,
Na solidão das janelas
Onde velhos se vêem,
Em redor dos jazigos
Dos melhores de Portugal.
O brilho indiferente do Sol,
Sobre a comoção que não quer sair.
Apetece-me rir para esquecer
Mas só me sai um sorriso nervoso
Por não ter um discurso
Nem palavras, nem ordem.
Ouço apenas o barulho mecânico
Dos segundos do relógio no meu pulso,
Que bate, continuando a vida,
Mesmo quando levo as mãos à cara
Tentando controlar o choro
Numa violência de estrangulamento.
Numa estúpida tentativa.
Faltam-me as palavras em momentos como este.