Devolve-me o espanto o ver o vento, inerte aparente, soltar folhas de uma certa árvore num Outono quente. O vento que se liberta também perante um céu vermelho de uma noite do mesmo Outono perfeito. Adoro a sua raiva de inexperiente, tentando conter-se, suprimindo a sua vontade até ao instante final e fatal onde é demais impossível. Rebenta enfim, soltando a sua amargura sobre a gente que vive na rua. Vive despido de roupa e coberto de alma e o seu sentimento, o sentimento desse vento, é tão intenso!
Ouço quase o seu eco no início da tempestade, ocasional viagem ao ego de um monstro qualquer que faz da sua voz o temporal esmagador. Mas, mais real que o Adamastor, se constrói, amigo do tempo, numa boa vida de passageiro, não de pensador. Está sempre o vento primeiro.