'ORPHEU

Wednesday May 5, 2010

Encontro-me parado. Enquanto o comboio galga toda a distância que mede a minha origem ao meu destino, encontro-me parado, sentado e simplesmente à espera. É como se dormisse o tempo inteiro e, com efeito, por vezes vejo quem dorme do meu lado, pondo em prática esta minha ideia. Mas invejo sobretudo quem, pelo contrário, viaja de olhos bem abertos, colados na janela, absorvendo rapidamente a paisagem em movimento. Com o corpo tenso e a expressão perplexa, mexem apenas os olhos freneticamente seguindo certamente algum ponto de interesse em constante mutação. Nunca os vejo a olharem o horizonte, com o olhar completamente parado pensando em coisas passadas ou em momento algum.

Fascina-me esta ideia de, até que ponto poderei estar parado.