'ORPHEU

Monday June 13, 2011

Batendo contra as rochas
Num fluxo de ondas e de saliva
No oceano celestial que é o teu cabelo
Onde brinco, entretanto, perdido no tempo
Esquecendo que, neste momento,
Me encontro à deriva, em alto mar,
À espera da despedida
Ansiando que ela nunca aconteça
Num desespero de doido varrido
Entre abraços, demasiado penosos, para largar.

Talvez que, por águas santas,
Ou milagrosos desejos de fim-de-ano,
Volte essa maré dos teus cabelos castanhos
Que me envolvem, prendem
Entre a confusão de beijos desatentos
Nas horas do relógio de parede
Que vai morrendo, lentamente,
À medida que nos deitamos no chão,
Perdidos de riso, de tão contentes,
Pelo retorno à Pátria, ao sol e ao mar.