Ter na alma
Uma página em branco.
Correr as ruas
E ser livre.
Ser eterno.
Ser Deus.
Que mal terá
Querer o Mundo
Ou ser eterno?
Ou viver depois de morto…
E ser feliz assim,
Neste desconexo.
Numa embrulhada de loucuras,
De gritos e de sangue
Que vivem da velocidade de frases
Que me saem pela boca.
Que me transtornam,
Que me ocupam o pensamento.
Que escrevo com repulsa.
Que não olho enquanto escrevo.
Que não rimam nunca,
Não fazem sentido sequer.
Não há métrica possível para a loucura.
De uma pedra assente nas teclas
Da máquina que escreve
Das minhas mãos que me surpreendem
Escrevo cego por não olhar o que escrevo.
Fecho os olhos perante e tudo
E corro o Mundo.
As aventuras que vivo aqui, no consciente,
São tão reais como as aventuras irreais
Não o são. São menos, mas são.
O que seria de mim sem a imaginação? Não seria nada!
Não me conheceria sequer.